Nossa História

Registros exatos dos primeiros anos do centro inexistem. Parece que tudo começou em 1951 quando um grupo de pessoas passou a se reunir na casa do Sr. Luís Bolognini, na Rua Apodi, 83. Segundo D. Lúcia, viúva do Sr. Luís, o casal procurou o espiritismo como forma de conseguir a cura de um filho doente. Assim o Sr. Luís entrou em contato com o Sr. Pires, que era um médium, e juntos passaram a procurar um lugar onde os trabalhos espíritas pudessem começar. Foi escolhida a residência do casal Bolognini. Logo em seguida, juntou-se ao grupo o Sr. Ulisses Landucci, acompanhado de alguns trabalhadores que haviam atuado em outro centro.

Vários guias espirituais orientavam o grupo, mas gradativamente Itajubá, cujo médium era o Sr. Ulisses, passou a ser reconhecido como o patrono.

O trabalho da casa, na época, era bem diferente do que acontece nos dias de hoje e predominavam os trabalhos práticos. Espíritos, tais como, Dr. Teixeira Leitão, advogado; o médico Bento de Assis; Itaici; e o próprio Itajubá, entre outros que se manifestavam, davam auxilio e orientação aos irmãos que ali acorriam em busca de ajuda.

O trabalho de desobsessão acontecia, porém com características diferentes. Sob a orientação de Itajubá, as pessoas traziam objetos, na maioria das vezes, penas trançadas encontradas em seus travesseiros, para que esses trabalhos fossem desmanchados. E nem sempre, esses trabalhos provinham de pessoas menos esclarecidas, muitas vezes, a própria pessoa materializava esses objetos. A fé das pessoas nas orientações que Itajubá dava, através do Sr. Ulisses, atraíam inúmeros irmãozinhos, que formavam filas na obtenção de fichas para conseguirem ser atendidos.


O centro espírita Pai Itajubá foi legalmente registrado em 1955.


Em 1957, a convite do Sr. Ulisses, o Sr. Umberto Rotondaro, que já frequentava a Casa de Itajubá, recebe do mesmo a orientação de trazer os ensinamentos do curso de médiuns que, com sua esposa, D. Carmen, estava fazendo na Federação Espírita do Estado de São Paulo. Foi uma tarefa árdua e de muita perseverança. Segundo a recomendação do dirigente do curso, foi introduzido o estudo do Evangelho com o intuito de levar a luz dos ensinamentos de Jesus aos frequentadores da casa, e com essa medida, não davam oportunidades às comunicações constantes dos espíritos. Muitos trabalhadores não aprovaram esta novidade, o que gerou muitos melindres.

Em Outubro de 1962, sob a orientação espiritual de Itajubá, o Sr. Umberto, presidente da Casa desde 1958, juntamente com um grupo de trabalhadores, concluiu um processo que definiu a linha Kardecista da casa, inclusive alterando o nome para Centro Espírita Irmão Itajubá.

O ano de 1963 marcou a mudança para a primeira sede própria, na Rua Salles Guerra, 49. Dos antigos trabalhadores, seguiram juntos: D. Ana, Sr. Umberto e D. Carmen, Sr. José Tomás e D. Lourdes. O Sr. Ulisses, nesse momento, já se encontrava na pátria espiritual.

Com o passar dos anos, os trabalhos do centro cresciam: em 1965, a Escola de Médiuns para adultos; em 1966, a Escola de Evangelização infantil, inicialmente voltada para atender as crianças do lar Meimei que ficava na Rua Pio XI. Esses trabalhos contaram com a efetiva e decisiva participação do Sr. Benedito Ribeiro dos Santos, na época, Diretor do Departamento de Educação, e de D. Carmem que havia concluído na época o Curso de Preparação de Evangelizadores (FEESP).

O Trabalho de desobsessão já seguia a orientação da obra “Desobsessão”, de André Luiz, psicografia de Francisco C. Xavier, que consistia no esclarecimento e encaminhamento dos espíritos carentes de luz e informação que ali se manifestavam.

As instalações na Rua Salles Guerra ficaram pequenas, sendo que algumas classes da Evangelização tinham de ser ministradas na residência do Sr. Umberto. Essa situação criou a necessidade de procurar uma nova sede, cujo espaço pudesse acomodar todos os trabalhos da casa. Foi então que, em 1972, com firmeza e determinação, o Sr. Umberto decidiu pela compra
do terreno da Rua Vespasiano, surpreendendo seus companheiros de trabalho, que hesitavam diante de tão importante decisão. E, com a cotização dos trabalhadores do centro e doações em material de construção, o terreno foi quitado e ali construída a atual sede do CEII, inaugurada em 1973.

Nova etapa estava para iniciar-se quando, em 1977, o centro recebeu em doação um terreno na Freguesia do Ó para a construção de uma obra voltada às crianças. Após sete anos de trabalho, era inaugurada a Creche Coração Materno, que recebeu este nome por sugestão do Dr. Bezerra de Menezes.

Em 1987, foi implantado o Centro de Juventude Coração Materno. No ano de 1993, o CEII houve por bem desmembrar o trabalho na Freguesia do Ó, criando o Núcleo Coração Materno, legalmente separado do centro, mas ligado à Casa de Itajubá de maneira muito forte ainda, constituindo sua principal frente de trabalho no campo social.

Em 1995, o CEII adquiriu um terreno em Osasco para a realização do Projeto Recanto de Paz (voltado para o atendimento a doentes em estágio avançado). A viabilização deste projeto não foi possível por falta de condições financeiras e por não termos conseguido estabelecer uma parceria com outras casas espíritas. Tentou-se mais tarde implantar um Asilo para idosos, o que também não foi possível. Graças a Deus, essa última ideia pôde se concretizar, numa certa medida, com a criação, em Junho de 2008, do Núcleo de Convivência para Idosos na Vila Brasilândia.

Entre 2006 e 2009, o ‘centrinho’ foi reformado, e interligado com o prédio do Centro, permitindo uma otimização do espaço e a melhoria no atendimento dos nossos frequentadores e trabalhadore


Em 2011, comemoramos o 60º. Aniversário do Centro Espírita Irmão Itajubá.

Hoje, a casa segue atendendo fraternalmente todos que lá chegam com o trabalho de orientação e assistência espiritual, palestras, cursos regulares de estudo da Doutrina Espírita, curso de evangelização para crianças e jovens aos sábados e assistência social.

(Este artigo foi o resultado de uma pesquisa feita por Sueli Yngaunis e Francisco Rotondaro em 1991. Em 2010, foi revisto e atualizado por Francisco Rotondaro e Alexandre Terini e em 2015 revisado e atualizado por Ricardo Terini.)